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Era uma vez… Power Girls no Esporte.

Era uma vez, no Brasil, duas menininhas que nasceram para ser princesas… Ops! Ok?? Princesas?? Não! Não é essa a história. Vamos falar de duas menininhas, que viraram mulheres super power através do esporte. Raíza e Mariana, duas atletas de peso no mundo do esporte de adrenalina. Empoderadas! Aquelas que não tem medo de quedas, que enfrentam os desafios, que competem com homens e que nasceram para viver do esporte, com toda a sua glória e seu risco.

Raíza Goulão, brasileira de Pirenópolis, Goiás, atleta de MOUNTAIN BIKE, bicampeã pan-americana de MTB na categoria sub-23, campeã CBBR na Espanha, campeã na MediterraneaEpicRace, também na Espanha.

Mariana Nep, brasileira de São Paulo, São Paulo, atleta de WAKEBOARD, bicampeão paulista, campeã brasileira, campeão latinoamericana, vice-campeã sul americana.

A história de cada uma delas é empolgante e inspiradora, e prova como as mulheres estão ocupando o mundo de maneira forte e gentil. Conversamos com as duas sobre suas experiências, agora vamos dividir com vocês um pouco do que passa pela cabeça delas.

O SEU ESPORTE ERA VISTO COMO MASCULINO

RAÍZA: “Para mim isso é um grande passo, o crescimento do número de mulheres praticantes, pois vivíamos em um mundo machista e agora vemos cada vez mais mulheres se tornando independente. E no esporte não poderia ser diferente, a busca pela liberdade, contato com a natureza, superação e adrenalina não pode ser taxada por um esporte como algo masculino.”

MARIANA: “O crescimento de mulheres no esporte é muito grande. Elas estão mais corajosas e radicias. Hoje, muitas mulheres procuram o Wakeboard.”

COMPETIR COM HOMENS EXIGE MAIS ENERGIA?

RAÍZA: “Não me comparo com homens, na questão de ter que impor mais energia, e sim muitas vezes por barreiras que enfrentamos, pelo simples fato de sermos mulheres. Minha dedicação e números são iguais ou maiores do que a de um homem, isso depende do atleta.”

MARIANA: “Não coloco mais energia por causa dos homens. Hoje, ponho energia porque sei que sou capaz de dar o meu melhor. Quando vou competir na categoria masculina, muitas vezes tem um monte de homens me olhando com medo, porque sabem que eu treino bastante. Na hora da competição, vou para cima deles. Eles que tem que ter medo de mim, e não eu deles.”

QUEM MAIS TE INSPIRA? HOMENS OU MULHERES?

RAÍZA: “Minha maior inspiração é uma mulher, minha mãe. Uma verdadeira guerreira.”

MARIANA: “Os homens me inspiram muito, principalmente no Brasil, onde não há muitas atletas mulheres de alto nível no wakeboard. Meu marido, o Marreco, o Guaru e o Jaja de Manaus, são atletas que me inspiram. Fora do Brasil, muitas mulheres me inspiram também, e estão fazendo manobras que antes eram vistas como impossíveis para mulheres.”

PREMIAÇÕES SÃO IGUAIS PARA HOMENS E MULHERES?

RAÍZA: “Nem sempre, infelizmente. Quando a competição é UCI, o prêmio pelas colocações em etapas, são definidos pela UCI. No entanto, a premiação final do evento campeão, vice, etc varia muito para homens e mulheres.”

MARIANA: “Só a categoria masculina tem prêmio em dinheiro. Não só no Brasil, mas em outros lugares do mundo também. A realidade é que ainda o Wakeboard masculino é tecnicamente muito superior ao feminino. No Brasil, o homem ganha pouco, e a mulher nada. Hoje, eu sou a atleta mulher que mais se dedica ao esporte, faço porque amo. Temos que nos conformar e seguir fazendo o que se gosta.”

MACHISMO

RAÍZA: “Sim, existe muito machismo no esporte. É algo constante, porque muitos homens não entendem que nós, mulheres, temos direitos de igualdade.

MARIANA: “Quando um homem faz corpo mole, falam que ele anda que nem “mina”. É uma frase machista. O Wakeboard é um esporte de muito risco e quedas muito fortes, e realmente as mulheres costumam ter mais medo. Internacionalmente, a competição feminina tem menos prestígio. Ninguém quer assistir. Muitas vezes, homens acham um absurdo eu andar melhor que eles. Mas isso é óbvio, não poderia ser diferente porque eu me dedico ao esporte. Treino todos os dias. Rola machismo sim. Mas para mim, entra num ouvido e sai pelo outro. Entro na água e faço o que eu sei, e valeu”.

COMO O BRASIL VÊ AS MULHERES NO SEU ESPORTE?

RAÍZA: “A cada ano estamos ganhando mais espaço. Aos poucos isso vem mudando. Mas, sem dúvida, em outros países como os da América do Norte e Europa, as coisas são mais iguais”.

MARIANA: “No Brasil está complicado por causa da crise econômica e política. No Brasil é só futebol. As pessoas não sabem o que é o esporte. Nos Estados Unidos ou na Austrália é bem diferente. Há mulheres e crianças praticando o esporte. Aqui só há espaço para o futebol”.

AS MARCAS PATROCINADORAS ACREDITAM MAIS EM HOMENS OU EM MULHERES?

RAÍZA: “Conseguir viver 100% do esporte, exige muita dedicação, paciência, pois sempre precisamos provar que somos capazes, para aí sim conseguir patrocínios e incentivos do governo.

Sobre as marcas patrocinadoras, depende muito da estratégia de marketing de cada uma, infelizmente ainda não temos uma visão de investimento em uma equipe, e sim sempre voltada mais para o resultado, números, retorno financeiro. Não julgo todas as marcas, pois sim acredito que nós atletas somos espelho e devemos vender as marcas que nos apoiam. Porém esse “vender” deve ser feito de forma indireta, através de nosso trabalho e dedicação na carreira, performance e resultados, e os números de retornos financeiro chegam em consequência de todo conjunto”.

MARIANA: “Nem homens, nem mulheres tem patrocínios. A gente faz porque ama.”

FILHOS, MELHOR NÃO TÊ-LOS? COMO CONCILIAR FILHOS E ESPORTE

RAÍZA: “Tudo depende muito da estrutura que a atleta tem, apoio e condições financeiras. Varia de caso a caso.”

MARIANA: “Depois de ter minha filha, eu vivo ainda mais o esporte. Minha filha vai para o barco desde que estava na barriga. Ela vai todos os dias e anda com a gente. Sempre tentamos trazer nossos filhos para o que achamos certo, para o que gostamos.”

ROTINA DE TREINOS

RAÍZA: “Treino diariamente. Dependendo do período do ano, há momentos que treinamos até 20 horas semanais na bike, e outros que conciliamos treinos na bike e academia. 

Além disso, dedico muito tempo a recuperação com alongamentos, massagens e fisioterapia.”

MARIANA: “Minha rotina de treinos é de 4 vezes por semana musculação, exercícios de agilidade, mobilidade e Pilates. É muito importante estar com o corpo forte. Depois que tive uma lesão no joelho, comecei a dar importância para a preparação. O corpo fica forte, e a mente também. Todo final de tarde, todos os dias, treino na água, com meus dois técnicos, Marreco e Pedro.

MULHER CHORA QUANDO SE MACHUCA?

RAÍZA: “Em minha vida sempre segurei meu choro, nunca me permiti chorar por mais de alguns minutos. Mas quando caio, a lágrima vem se foi algo mais sério, ou quando recebo a notícia de uma lesão, parece que perco o chão. Não ligo muito de desabar, chorar se for preciso, independente da pessoa que esteja ao meu lado.”

MARIANA: “Cair é o que mais acontece, e as quedas são fortes. O corpo tem que estar preparado. Se eu tiver que chorar, eu choro. Mas é muito difícil eu chorar. Chorei quando estourei meus ligamentos do joelho. Eu já estou acostumada com as “porradas”. Mas não tenho problema de chorar, ou falar que me machuquei, nada disso”.

TPM

RAÍZA: “A TPM é um caso à parte, para mim ela vem em forma de um rio de emoções, onde fico muito mais sensível e com muita vontade de comer doces. 

Preciso sempre saber conciliar este momento, mas devido ao fato de não ter muito controle sobre a data que ela vem, só consigo perceber que estou nesse período alguns dias depois que passou. Procuro anotar datas para me preparar para a próxima.”

MARIANA: “Sinceramente não tenho TPM. Optei por colocar o diu, método anticoncepcional, e por conta disso não menstruo. Fico muito tempo no barco, foi a melhor opção para mim. Minha TPM é errar uma manobra que já havia acertado várias vezes.”

NO ESPORTE, MULHERES SÃO INSPIRAÇÃO PARA HOMENS?           

RAÍZA: “Para alguns homens, com cabeça mais aberta, sim. Porém, ainda vivemos em um mundo machista.”

MARIANA: “Acredito que mulheres são fontes de inspiração para homens, sim! Muitos homens me perguntam como faço as manobras, como acertei, como penso para fazer uma determinada manobra. Quando rompi meus ligamentos recebi várias mensagens de homens me dando força, e dizendo que sou inspiração. Homens bem resolvidos, claro.”

CUIDADOS COM CORPO, MENTE E ALIMENTAÇÃO

RAÍZA: “Esse é o X da questão, o equilíbrio entre corpo, alma, mente X performance X felicidade. Ainda busco esse equilíbrio, pois é difícil mantê-lo diante dos imprevistos de nosso dia a dia.

Com meu corpo, dedico 100% a ele nos treinos e recuperação pós treino.

Para minha mente, busco relaxar e alimentá-la com momentos alegres, com auxílio da minha psicóloga Alessandra Dutra e meu Coach Flávio Magtaz.

Sobre a alimentação, ela deve ser sempre balanceada, mas não me privo do que gosto. Só tenho que saber o momento certo de comer, aprendi isso com minha nutricionista Lili.”

MARIANA: “Tenho na minha cabeça que meu corpo precisa estar forte, assim vou para academia 4 vezes por semana. Se eu fico sem malhar, o risco de lesão é muito maior. O Pilates me ajuda muito nisso.

A mente tem que estar boa, é o grande segredo na hora das competições. Estou tentando e aprendendo a controlar a minha mente, porque isso é o que faz você ter êxito em uma competição. Como estou melhor tecnicamente, tenho mais confiança e tranquilidade.

E a alimentação é essencial. De 10 a 15 dias antes das competições, faço uma dieta especial para manter o corpo preparado para o antes e depois. Na hora da competição o corpo tem que aguentar e fazer 10 manobras em 1 minuto.”

Quer saber mais história das meninas?

RAÍZA: http://www.raizagoulao.com.br

MARIANA: https://www.marrecowake.com.br